quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Canção de Madrugar

De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei.

Sei dos teus olhos acesos na noite
- sinais de bem despertar –
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar.
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer.

Irei beber em ti
O Vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei

Dei do meu corpo um chicote de força.
Razei os meus olhos com água.
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas

E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis.

Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
que nos verá nascer
Então

Nem choros. nem medos, nem uivos, nem gritos
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas
Nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem guerras


de José Carlos Ary dos Santos

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Outro Lamento do Senhor Bernardino

"No fundo, há três fases!", e sorri vagamente, ou ri nervosamente, procurando um olhar de anuência, "Uma em que um ama e o outro ama, outra em que um não ama e o outro também não ama, e outra em que um ama e o outro não ama...".
E não esperando pelo silêncio, conclui, depos de outro sorriso vago, de outro riso nervoso:
"Esta, a meu ver, deve ser a fase mais complicada!"

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Grandes Lamentos - IC

"No fundo, nós somos todos em média diferentes",

o senhor Bernardino, sobre os seus desamores, tentando ser vagamento concreto.

E na Vinicultuna também somos todos em média assim.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

como tocar Castanholas



Quando teremos um caloiro a tocar castanholas?

Quando teremos o Juvenal a tocar guitarra portuguesa assim com uma orquestra?

Para Ontem, Sugerimos

smartinho.blogspot.com

«O S. Martinho, como o dia de Todos os Santos, é também uma ocasião de magustos, o que parece relacioná-lo originariamente com o culto dos mortos (como as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos). Mas ele é hoje sobretudo a festa do vinho, a data em que se inaugura o vinho novo, se atestam as pipas, celebrada em muitas partes com procissões de bêbados de licenciosidade autorizada, parodiando cortejos religiosos em versão báquica, que entram nas adegas, bebem e brincam livremente e são a glorificação das figuras destacadas da bebedice local constituída em burlescas irmandades. Por vezes uma dos homens, outra das mulheres, em alguns casos a celebração fracciona-se em dois dias: o de S. Martinho para os homens e o de Santa Bebiana para as mulheres (Beira Baixa). As pessoas dão aos festeiros. vinho e castanhas. O S. Martinho é também ocasião de matança de porco.»

(in As Festas. Passeio pelo calendário, de Ernesto Veiga de Oliveira, Fundação Calouste Gulbenkian, 1987)

NOTA - A Vinicultuna dá valor a estas coisas.

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Uivando... algures, Pelo Fim da Noite

A Lua por trás da torre
Faz a torre diferente.
A verdade quando morre
Morre só porque não mente.

Mente a Lua que se esconde
Por trás da torre de aqui.
Mente a torre porque é onde
A Lua não está ali.

A Lua é só um reflexo,
A torre é um vulto somente,
E assim, num íntimo nexo,
Qualquer diz verdade e mente.

E é desta mista incerteza
De verdade e de mentira
Que nasce toda a beleza -
Que desta hora se tira.

Saibamos, dando guarida
Ao que tudo é de metade,
Fazer bela a nossa vida
Mentindo com a verdade.

29-9-1933 Fernando Pessoa

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Ponto Informativo

"
O ACTIMEL fornece ao organismo uma bactéria chamada L.CASEI. Esta
substância é gerada normalmente por 98% dos organismos, mas quando é
administrada externamente por um tempo prolongado, o corpo deixa de a
fabricar e 'esquece- se' que deve fazê-lo e como fazê-lo, sobretudo em
pessoas menores de 14 anos. Na realidade, surgiu como um medicamento
para essas poucas pessoas que não a fabricam , mas esse universo era
tão pequeno que o medicamento se tornou, não rentável; para o tornar
rentável, foi vendida a sua patente a empresas do sector alimentar.

A Secretaria Estado da Saúde (Espanha) obrigou a ACTIMEL (a
sereíssima) a indicar na sua publicidade que o produto não deve ser
consumido por um tempo prolongado; e cumpriram, no entanto de uma
forma tão subtil que nenhum consumidor o percebe ( p.ex. 'desafio
actimel: tome durante 14 dias').


Se uma mãe decide completar a dieta com ACTIMEL, não recebe nenhum
aviso sobre a sua inconveniência e não vê que pode estar a causar um
dano importante ao futuro dos seus
filhos ou ao seu devido às manipulações publicitarias da
multinacional DANONE para incrementar os seus benefícios, sem se
importar com a saúde dos consumidores.
"

E voçês perguntam... qual a relação do ACTIMEL com a Vinicultuna?
Eu também não sei caros Amigos e Inimigas, mas o Tuno Pissa Cúbica acutilantemente estragando todo o momento diz o seguinte:


"Mas e a bolha?
", e esboçando um sorriso afasta-se em silêncio.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Da Vinicultuna, Sobre Maneiras

- Porque bebeis o Caldo da malga?
- Mas haverá alguma forma de ele saber melhor?
- Nesse caso porque pedistes que vos trouxessem as colheres?
- Porque temos maneiras! De outra forma não passaríamos de animais.

O "Primo de Praxe" do Nosso Velho, o Tuno Fundador Cinderella, chamava-se Rui Maneiras. Nunca passou pela Vinicultuna, mas era um Amigo.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

O Gato que Comia Com a Gente

A gente estava a comer. O Gato chegava, entrava, dirigia-se à nossa mesa – há sempre um lugar vazio -, sentava-se e comia com a gente.
Com mais modos ate, que ele tinha bigodes e raramente lhe respingava para a toalha. E não falava com a boca cheia. Alias, não falava. No que até era um bocado desagradável. A gente ali, e ele nem uma nem duas. Chegava, sentava, sem pedir licença, e comia com a gente. Nem se dava ao trabalho de olhar para a lista ou interpelar o Senhor Filipe. Comia com gente do que a gente estivesse a comer – pedimos sempre para mais um. E ainda se dava ares de superioridade, olhando-nos de canto, se acaso nos respingava para a toalha ou falávamos de boca cheia. Não implicava, mas havia reprovação naquela maneira de olhar.
No fim, uma vez comido com a gente, levantava-se, pousava o guardanapo, e ia embora com ar de enfado, sem se despedir

Não podemos dizer que sentíssemos simpatia por este Gato que comia com a gente, mas não tínhamos outro. Que saibamos, ninguém tem. E há pessoas muito piores.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Do Grande Livro da Vinicultuna e dos Animais - XI


Novos Instrumentos Musicais


A caminho da Lua...

...parámos na Serenata,
e por ali ficámos quase para aí até
lá para as cinco da tarde.

Os Nossos Fétiches - IV


Do Fim da Noite XXI


Os Nossos Fétiches - III

As Nossas Lendas - VI

- Uma vez a Vinicultuna desapareceu. Disse-se muita coisa. Nós ficámos preocupados, mas a seguir encontrámo-la.
- Nas actuações da Vinicultuna já participaram: gatos, cães de passagem, pombas ao ar livre, uma galinha-estandarte, patos variados em noites de cerimónia, um gatinho numa caixa, um salmão numa grelha, um coati numa foto-novela, provavelmente coelhos de estimação e cavalos da GNR, decerto também ratos, o nosso Magister era meio Golfinho, outro Magister venceu um concurso de rádio enquanto Peixinho Dourado, e o Cão do Homem da Lua, quando lá chegarmos pelos nossos próprios meios.
- A Vinicultuna já teve uma Pandeireta Voadora Assassina.

sábado, 31 de Outubro de 2009

Do H1N1 e dos Corcundas - Plano de Contingência

Em concordância com as linhas de orientação internacional, e dando continuidade à gigantesca e bem-sucedida campanha "A Vinicultuna e o H5N1" de há uns anos, a Vinicultuna de Biomédicas-Tinto determina:

- Uma vez em espaços fechados, ou no meio de aglomerados confusos ou tumultuosos, os Tunos da Vinicultuna deverão reduzir o risco de contaminação, traçando a capa "à Tricana".

- Em alternativa, o Tuno Asmático-ou-Alérgico-a-Pêlo-de-Ovelha pode abrir as janelas

- No final de cada actuação em público, o Tuno da Vinicultuna desinfectará a garganta, as mãos e os instrumentos musicais, com um Preparado de Verde-Tinto e Triturado de Cebola.

- Chegando a áreas abertas, arejadas e sossegadas os Tuno da Vinicultuna deverá destraçar a capa, e traçá-la "à Tricana" antes de semear a confusão.

- Os Urinóis de Tuna serão virados do avesso, para criar confortáveis Unidades de Isolamento.

- Como é por demais sabido, os Corcundas são de natureza velhaca.

sábado, 24 de Outubro de 2009

Um Lamento - no "Florêncio"

Chegam duas latas de coca-cola à mesa onde, com "Alegria-Contida-e-Calda-Mas-Quentinha-Cá-Por-Dentro", ouvira ser pedido o famoso e saudável Bucho Recheado.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Comboio do Caloiro



Esta quinta, em Coimbra......


quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

Do Vinho, e da Amizade entre os Povos - VIII

"Voltei ao quarto e passei a noite com Strehlow e uma garrafa de borgonha.
Certa vez, Strehlow comparou o estudo de mitos aborígenes com o percorrer de um «labirinto de inúmeros corredores e galerias» misteriosa e complexamente ligados entre si. Ao ler os Cantos, fiquei com a impressão de Strehlow era um homem que tinha penetrado neste mundo secreto pela porta de serviço; alguém que tinha tido a visão de uma estrutura mental mais maravilhosa e complicada doque tudo o que existe na terra, uma estrutura que faz que todos os sucessos materiais do homem não pareçam de grande importância e que, de certo modo, escapasse a qualquer descrição.
O que torna o canto aborígene tão difícil de ser apreciado é essa interminável acumulação de pormenores. No entanto, até mesmo um leitor superficial pode entrever um universo moral - tão moral como o Novo Testamento - no qual os elos de parentesco se estendem a todos os homens vivos, a todas as outras criaturas e rios, rochedos e árvores.
Continuei a ler.
As transliterações da língua aranda apresentadas por Strehlow eram de fazer perder a paciência a quem quer que fosse. Quando já não consegui ler mais, fechei o livro. Tinha as pálpebras que pareciam lixa. Acabei com a garrafa de vinho e fui beber um brandy ao bar.
Um homem gordo e a mulher estavam sentados perto da piscina.
- Uma muito boa noite para si, meu caro senhor! - cumprimentou-me.
- Boa noite - retorqui.
Pedi café e um brandy duplo no bar e levei um segundo brandy para o quarto.
A leitura de Strehlow deu-me vontade de escrever qualquer coisa. Não estava bêbado - ainda não - mas há séculos que não me sentia assim tão perto de o estar. Peguei num bloco-notas amarelo e pus-me a escrever."

de "O Canto Nómada", de Bruce Chatwin

P'ra Vós

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Um Lamento

Dantes, os Jovens, gastavam mais do seu tempo a escrever.

sábado, 3 de Outubro de 2009

Quintanilha - O Paraíso Perdido da Hospitalidade

Não são necessários comentários nem um outro qualquer texto, pois uma ou duas imagens valem mais que mil palavras.



Quando voltamos?...
meus caros Tunos e alguns membros da tuna anadémica da faculdade de medicina do porto - Vinicultuna - Tinto -

Ensaio Fotográfico II - O Magister de Coimbra




O Magister é omnipresente.


Done !!!

Elizeth(te) Cardoso - Eu bebo sim.








Vou já cagalhão!!!!!!